Intercâmbio, Saudades e Aprendizados

A saudade de casa bate… para apaziguar o coração, escuto música latino-americana! A trilha sonora é do filme Chef (se ainda não assistiram, vejam! É um filme que fala de amor, amor pelo que se faz, pelo que quer e acredita! <3). O cheiro é de comida, pelo ar, nas roupas, nos cabelos… as unhas estão impregnadas com o cheiro de alho, cebola e condimentos. Afinal de contas, foram muitas horas na cozinha neste último mês.

O clima é quente e ameno. Fazem 10° em Dublin neste exato momento. Há dois dias fizemos um mês de Europa. Ontem mesmo expliquei para uma colega de trabalho que a palavra SAUDADE não tem tradução. Ah sim… já estou trabalhando, muito antes do que eu imaginava e das minhas melhores expectativas. E pasmem, na cozinha! Só na última semana trabalhei mais de 30 horas em um restaurante. Pura insanidade! Mas uma insanidade que me mantém viva e feliz! Era isso (eu acho…).

Nesse mês já aconteceu de tudo. Começamos uma outra vida. Novos documentos, visto, licença de trabalho, conta em banco… e uma casa nova com mais 7 pessoas! No início deu aquele desespero. Depois de dois anos na casinha, morando juntinhos só nós dois, como seria agora dividir o espaço? Foi muito melhor do que imaginávamos! Pessoas incríveis de todos os cantos do Brasil (sim, todos brasileiros!) que nos ajudaram, apoiaram e todos os dias nos fazem rir e fazem tudo isso valer ainda mais a pena. Obrigada Lee, Jack, Ju, Clari, Carol, Iago e especialmente à Mayara, que todas as noites nos faz chorar… de rir! ❤

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Amizades que se transformaram em uma família

O inglês já deu um up considerável! O meu né, porque o João já está arrasando. Aliás, se não fosse ele eu não sei como teria sido abrir a conta no banco, explicar pro moço da imigração (muito curioso, por sinal) que eu era bióloga e tinha passado os últimos três anos trabalhando com golfinhos de rio na Amazônia e nem conseguido pedir um café no Starbucks no meu primeiro dia em Dublin. Aliás, eu não sei o que seria da minha energia sem a sua calma… obrigada por tudo, meu amor! Esse relato é com e pra você também!

A Irlanda é linda. É um país de muita resistência, força, luta e que, como o Brasil, sofreu com uma colonização (inglesa neste caso) por muitos anos de sua história. Mas é um país tem muito a oferecer. Ainda não conhecemos quase nada, mas queremos. Este primeiro mês foi de muitos “appointments”, correria, mudança, adaptação e transformação. Mas esperamos que nos próximos meses possamos ter mais a contar sobre isso.

Sobre o meu trabalho na cozinha… loucura né? Quem me conhece a mais tempo já sabe do meu amor e gosto não só pela cozinha, mas pelos sabores e ingredientes, pela alimentação saudável e de qualidade. Bom, dei o primeiro passo. Comecei fazendo 11 horas de “trial” (que é como eles chamam um teste por aqui) como assistente de cozinha em um restaurante de comida brasileira. De cara já adorei. Não me senti trabalhando, parecia uma brincadeira. Foi cansativo, claro, mas cansativo pro corpo. A mente e a alma estavam livres e libertas (finalmente!). Alguns dias depois fui chamada para trabalhar em outro restaurante do mesmo chef, mas desta vez como KP (kitchen porter), que é tipo o “Bombril” da cozinha – literalmente. 1001 utilidades: lava louça, organiza e limpa tudo depois que a cozinha fecha, etc… Não era bem isso que eu imaginava, mas vamos lá. De algum lugar a gente precisa começar. Mas, detalhe, era inauguração do restaurante. Em resumo, cheguei às 18h e saí meia noite. Morta. Não comi, tomei água ou fui ao banheiro durante 6 horas de trabalho em pé. E trabalho pesado. Não é aquelas panelas que a gente lava em casa, sabe. São utensílios grandes, pesados, cheios de gordura, água fervendo pra tirar tudo aquilo. Caos! Chorei enquanto lavava louça, pensei: “meu Deus, o que eu tô fazendo aqui?”.

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Mas eu sobrevivi. Saí de lá dizendo que não ia voltar no dia seguinte. Escrevi pro chef na manhã seguinte avisando que não voltaria. Ele então me chamou para ir trabalhar no mesmo restaurante como assistente de cozinha, mas agora recebendo e com possibilidade de contratação. Parece que gostaram do meu trabalho no dia anterior. Eu estava exausta, mas ele insistiu. Agarrei. Depois disso trabalhei mais de 20 horas como assistente e mais uma vez, tô amando! Não estou falando que é fácil. Já chorei, cortando cebola ou não. Eu aprendo rápido e quero aprender cada vez mais, mas a barreira da língua ainda é um desafio pra mim. Ao mesmo tempo, vocês não fazem ideia do quanto eu já aprendi dentro daquela cozinha em 30 e poucas horas de trabalho. Sobre as pessoas, sobre mim, sobre a cozinha, sobre o amor pela comida que eu compartilho com as outras pessoas… sobre sabores, cores, carinho, cuidado e serviço. Sobre ajudar. Sobre aprender e ensinar. Sobre histórias e ajuda. Podia ir embora hoje, já teria valido a pena.

Me despeço agora, com saudade… Muita saudade! Da família, dos amigos, da América Latina, do ar e do mar do sul do mundo. Do cheiro do mato, da Amazônia e da Mata Atlântica. Do Brasil (mesmo com todas as suas dificuldades). Mas me despeço com a certeza de que tenho muito ainda pra descobrir e aprender por aqui! Seja em Dublin, na Itália (próximo destino?) ou em Portugal (será?). Não sei. Não sabemos. Mas temos a certeza de que essa experiência será incrível pra nós – já está sendo!

Eu e o João estamos muito bem, não se preocupem! Já estamos mais adaptados e a cada dia mais confiantes no que está por vir. Torçam por nós!

Amo muito todos vocês! SAUDADES! Até breve.

Daiane da Rosa

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